Enquanto isso, na Alemanha…

Feliz sexta-feira, galero!
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Extra extra! Mais uma lista de utilidade pública para o melhor entendimento dos habitantes nativos da Batatolândia. Com vocês…os alimentos mais deliciosos (#not) que você vai encontrar em uma geladeira germânica! Shall we?

1 – Sülze
Muito respeito, estamos falando de uma especialidade alemã. Pedacinhos de porco, frango, peru ou alguma outra carne nobre vêm, embalados firmes e fortes dentro de um pacote cheio de gelatina. UPDATE: neste Natal comi um Sülze preparado em casa e descobri que a tal da substância gelatinosa é produto do próprio cozimento de várias partes do porco juntas, com cebola, temperos e picles. Aí já sai da geladeira com aquela consistência de pudim de porco. Uma delícia, gentchy!
2 – Russische Ei na gelatina
Este é o segundo alimento da categoria frios desta lista que vem envolto em uma tal de gelatina nojenta, mas que aparentemente é muito popular por aqui. O “ovo russo” (!) é uma especialidade da cozinha russa e vem nessa versão que vende nos supermercados mergulhado nessa gelatina, junto a uns temperos, meio ovo cozido e alguns pedaços de verdura dentro de um potinho.
3 – Salada de “café-da-manhã” (!!)
Comer pão integral ou preto, como fazem os alemãs, todo dia é super saudável, né? Ainda mais se vier com uma pá de maionese com mortadela e pepino, em uma mistura super /in/digesta que também pode incluir ovo, tangerina, peixe (!), milho, aspargos e outras coisas incombináveis. Mas hey, somos do Brasil, terra de um dos cafés-da-manhã mais humildes em calorias.
4 – Carne moída crua pra passar no pão
Brasileiros têm pavor de carne crua, né? Pois alemães amam (eu também!). Pense naquele porco moidínho com uma cebolinha picada, sal e pimenta por cima. E não, alemães não sabem o que é aquela lombriga chamada solitária. E sim, se você vier à minha casa, vai encontrar Mett na geladeira!
5 – Gordura de porco pra passar no pão
Sabe aquela banha de porco que aquela sua tia-vó que mora em Minas usa pra fritar o torresmo? Sim, aqui você passa no pão. A banha ainda vem “temperada” um uma cebolinha frita e uns pedacinhos de maçã para tornar a coisa mais apetecível. Alemão não se importa com colesterol mesmo (e posso apostar que nem os mineiros!).
6 – Cream cheese sabor aspargo
Apesar deste item ser auto-explicativo, tenho que dizer: em tempos de aspargo, por favor não comprem esta merda!! É muito ruim aspargo com gosto de queijo, galero.
7 – Hering in Gelee
Mais um item com a tal da gelatina. Neste caso, um pedaço de peixe frito vem dentro de um potinho cheio de gelatina. A gelatina mantém o peixe “firme” no potinho, entende? Er… eu inventei isso. Na verdade eu não sei pra que serve essa gelatina. Alguém sabe? deve ter algo a ver com conserva, pois o sobrenome da cozinha alemã é Conservação.
8 – Sauerkrautsaft (suco de chucrute)
Mais um item auto-explicativo. Eu sei que alemães são fãs de sucos de legumes, mas alguém encara suco de chucrute? A Ivana encarou.
9 - Harzer Käse

E quem foi que falou que alemão só sabia fazer salsicha? O Harzer Käse, típico da região de Harz, é o queijo mais saudável do mundo! Com apenas 0,1% de gordura, este produto é por essência o queijo típico alemão. Só não se incomode com o cheiro. Muito pior do que 4 toneladas de queijo francês, o Landskäse equivale a uma meia que foi usada sem lavar durante o inverno todo. E o gosto…Bem, o que esperar de um QUEIJO que tem apenas 0,1% de gordura?
Gente, apesar de zoar, eu sou fã da cozinha alemã. Talvez por isso a lista esteja desfalcada! Por favor, me ajudem a pensar no último item da listapara completarmos o Top 10! Sugestões nos comentários, bitte!
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Tags:alemanha, bizarrices, carne crua, comida, harzerkäse, ovo, sülze
Die Karambolage na CBN!
Gente, dei uma entrevista para a rádio CBN sobre o blog, Alemanha e afins! Ficou muito legal. Ouçam aqui nesse link!
Falamos sobre alemães que irritam, Daniel Brühl, street art e do talento do alemão para o improviso.
Quem me entrevistou foi a Pétria Chaves, que está fazendo um especial sobre blogueiros para o programa CBN Total. Não reparem a ofegância do final… Eu tava carregando compras e meu filho Valentin, tudo ao mesmo tempo!
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Sheldon disse essa pérola no episódio da semana passada de Big Band Theory.
Tive que fazer um print.

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O Natal está chegando aí e é uma boa oportunidade para presentear seu alemão ou alemã preferido, não é mesmo? MUITA CALMA NESSA HORA! Você está pensando que é sair e comprar um presente em cima da hora, tipo uma camisa de 29,90 da C&A ou um best-seller de auto-ajuda com fotos de cachorros em lente olho de peixe? NÃO É BEM ASSIM.
Mas com as orientações a seguir, você poderá se sair muito bem no trato germânico. Preste atenção que esta é uma lista generalizada, portanto, serve para todos os tipos de alemães que você encontrar pelo caminho: novo bio-hippie, yuppie da Alemanha capitalista, idoso hippie, idoso ex-prisioneiro russo, idoso jardineiro-intelectual, idoso jardineiro-ensino secundário (sim, há muitos idosos na Alemanha), empresário hippie (sim, há muitos hippies também), caixa punk de supermercado, farmacêutica punk, etc, etc, etc. Não se preocupe com o perfil do presenteado(a), apenas com o fato dele ter sido criado por alemães (polonês não serve).
Aí vão minhas sugestões:
Wurst
Salsicha, salame, calabreza. Sabe aquela história de comprar aquele salame húngaro que custa os olhos da cara pra dar pra alguém? Pois é, funciona muito. Mas você deve prestar bem atenção onde compra o salame. Veja bem, tem que ser na Alemanha, pô. Eles fazem as salsichas mais variadas do mundo e você não vai comprar uma salsichón francês vai? Então? Pesquise bem no Wikipedia sobre as regiões da Alemanha que produzem especialidades em Wurst (se pronuncia vuôast) e manda buscar pela Internet, dá um jeito. O presenteado que mora no Norte vai adorar receber uma salsicha da Turíngia, por exemplo. Elas têm a fama de serem as melhores!
Plantinhas
Eu adoro plantas, mas odeio tê-las. Mas os alemães adoram ter plantas, vasos, cactos, samambaias em toda a parte da casa. É, eu sei que brasileiro adora plantinha também, mas você gosta de ganhar uma plantinha de presente ou acha que é a mesma coisa que ganhar uma caneca da Imaginarium? Se você está nessa categoria, vambora. Os alemães adoram ganhar vasinhos, de preferência com alguma plantinha que possa dar frutos ou que ele(a) possa plantar depois no jardim. IDEAL TIPP: Árvores de maçã!
Doces, guloseimas e bolos
Para um povo relativamente magro (isso é o resultado de uma dieta low carb baseada em porco!), até que os alemães comem muito doce! Não tão açucarados como os brasileiros, os doces e bolos alemães fazem parte da etiqueta dos presentes. Seja uma cesta de Haribos ou uma caixa de pralinés do Lidl, vale tudo, desde que a embalagem seja bonitinha!
Calendários
Taí uma opção que sempre agrada. Alemão ama um calendário para que possa estar conectado diariamente e visualmente com o ritmo do tempo passando. Antigamente eu considerava o calendário um presente de grego. Afinal, dura só um ano e depois vai pro lixo, né? Mas o mercado de calendários (alô Taschen!) por aqui revelou-se o mais bacana ever. Mas atenção! Compre um calendário que tenha a ver com a pessoa, mais específico, bacaninha. Evite os sem graça generalizantes que vendem no Rossman. Ah, e esteja preparado para dar uma graninha… Os calendários mais descolados podem custar até 80 Euros!
Velas
Alemão é bicho sem graça, né? Salsicha, vela, calendário… mas é isso aí minha gente: alemão é povo simples, ao contrário do que a maioria pensa! Meu falecido paizinho achava que vela era coisa de defunto e assim cresci e me criei. Mas aqui não dá pra escapar das velinhas decoradas. No Natal então, amigo, prepare-se para uma overdose. Na Alemanha aprecia-se a meia luz (economia de energia?), ao contrário do Brasil, onde tudo é muito iluminado (desperdício?). E as velas têm seu papel bem definido para ajudar a dar o mood em qualquer situação.
Livros
Mas não qualquer um! Trata-se de uma categoria bem específica: livros sobre a história da cidade-natal do presenteado. A espécie alemã é muito interessada na história das coisas. Dizem que o alemão é o turista mais bem informado do mundo, e eu não duvido não. Eles adoram ler e se inteirar sobre todos os assuntos. Mas o preferido é mesmo a história de seu país, de seu povo, de sua comunidade. Um presente desse conquista qualquer um, principalmente os mais velhos.
Gutschein
E quando nada mais funcionar e você estiver sem paciência de dar a cara a tapa mesmo com a ajuda desta listinha esperta, só sobra uma alternativa: cartão-presente. O(a) alemão(a) de sua escolha não vai achar impessoal nem falta de educação ou apreço receber de presente um pedaço de plástico pré-pago, pelo contrário. Vai adorar poder comprar seu próprio regalo sem a interferência de terceiros!
E você? Tem algum item pra acrescentar à minha listinha?
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Todos pensam que o maior problema social do europeu é a superpopulação de imigrantes árabes, porém, o suor é a maior mazela das nações européias desenvolvidas.
O lendário odor do europeu é motivo de chacota internacional há muitas gerações e obedece a seguinte equação: quanto mais frio é o país, maior é o odor (pobre Escandinávia…). Eu, entretanto, sempre me recusei a acreditar no clichê. Até que cheguei aqui no verão de 2009 e comprovei com o próprio nariz que, pelo menos o alemão, não sabe ainda lidar com o suor e seu rastro aromático.
Tanto é verdade que o aventureiro e jornalista de aventuras alemão Roland Knauer escreveu um texto essa semana para o semanário Die Zeit confabulando sobre como se livrar desta peste mortal (sim, mortal. Você que já entrou em um Strassenbahn às11h com 40 graus lá fora sabe do que estou falando). O texto, no entanto, se dirige àqueles que praticam esportes no frio, pois é mesmo complexo se livrar dos odores indesejáveis acampando no meio da neve. Mas achei que a reflexão do homem valia para o povo como um todo.
Depois de ler o texto, cheguei à conclusão que é uma ciência complicadíssima a arte de driblar o body odor sem poder tomar banho todo dia. Até porque, alemão é um ser que faz esporte: anda muito, anda de bicicleta, faz caminhadas, escala montanhas, corta lenha, constrói casas, sobe escadas. Isso tudo com a mesma roupa e no mesmo dia. Nenhum laboratório farmacêutico apareceu ainda com o superdesodorante que aguenta todas essas quebradas, meu amigo.
Uma opção comum seriam roupas com tecidos funcionais, com membranas high tech que tornam o casaco respirável. Para Knauer, é um exagero o que algumas empresas oferecem no mercado em termos de roupas funcionais. Ele mesmo já enfrentou temperaturas extremas sem fazer uso das inovações sintéticas no campo do “outdoor”.
Segundo Knauer, o negócio é saber combinar tecidos sintéticos e fibras naturais. O campo meias, por exemplo, é extremamente complexo. Aparentemente, meias de algodão são as menos apropriadas para a prática de esportes. Porém, a fibra sintética não é a melhor escolha, pois administram bem o suor mas não têm propriedades que neutralizam o mau cheiro. O certo é misturar sintético com lã (milagrosa, esquenta, absorve e neutraliza tudo), e não algodão. “Lavar os pés de vez em quando também ajuda”, lembra ele.
A propósito, o texto faz parte de uma série imperdível sobre vida outdoor do Zeit, com colunas semanais escritas por Knauer. Vale a pena ler. O primeiro da série dá dicas para os iniciantes em Wandern (trilhas), como eu!
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5€ Friseur, a saga
Estava na hora de me foder na Alemanha. Deixei o cabelo crescer, porque tava bonito, mas o instinto visionário já alertava: “Vou cortar essa juba no 5€ Friseur ali da esquina!”
5€ Friseur, como você já adivinhou, é o salão aqui perto de casa onde tudo custa 5 Euros. Ou melhor, 5,99. Mas tudo bem, pensei, afinal 99 centavos não muda muita coisa. Queria cortar o cabelo lá, arriscar todas as minhas moedinhas em um Friseur onde os clientes são só punks, Asis (vândalos e antisociais), desempregados e mendigos alemães, e sentir, claro, mais uma vez aquela adrenalina de outrora e economizar horrores!
Meu amigo, antes fosse.
Cheguei lá e em vez de Asis, havia uma população de mulheres que se chamam Cindy, Katy Britney. “Ué, cadê os punks? Ach so, eles não cortam o cabelo. Burra!”, pensei. Esperei sentada em uma cadeira de veludo em uma espécie de sala de espera, onde havia só mais uma cadeira. De veludo. Bem pomposo. O chão era de azulejo branco estilo cozinhas brasileiras. Aí veio a Cindy:
- Oi, o que vai ser?
- Corte! (bem decidida!)
- Lavagem, corte e secagem?
- Er… Não, na verdade só corte mesmo.
- Aqui a gente só faz assim, tudo junto, respondeu Cindy, varrendo o chão. – Vai sair 17,98, só para a senhora saber.
- Ah tá, porque as pessoas vêm aqui e pensam que vão pagar só 5,99 por tudo né?
- É.
- Ok, eu já tô aqui mesmo… (raiva > adrenalina).
A lavagem que seguiu-se ao diálogo foi coisa de 4 minutos. Água bem superficial no cocoruto, esfrega, esfrega e voilá. Sem condicionador, claro. Afinal, para que servem lavagens senão justificar o acréscimo de 5,99 dinheiros à conta?
- Venha por aqui, me indicou Cindy.
Sentei no trono em frente a um espelho bem grande com uma moldura dourada bem rococó.
- Como a senhora vai querer o corte?
- Bem, sabe o corte que está agora? Igual, só que 5 centímetros mais curto.
- Como assim, senhora?
- Assim, é reto, mas um pouco mais curto atrás e mais longo na frente.
- Com ou sem degradê?
Faco uma pausa para explicar a pergunta-chave da Cindy: “mit oder ohne Stufen?” Na hora me deu um click e associei o “Stufe” ao Vokuhila. Mas não, corte com Stufe significava degradé mesmo, aquele velho de guerra.
Mas estava tão traumatizada de ver cortes femininos na Alemanha demais “degradados” e dramaticamente assimétricos, que na hora respondi:
- Não, pelamordedeus, ohne Stufe!!
- (Bzbzzzbzzzzbzzzzzbzzzzz….cochicha com a Britney). Olha, vai ficar 23,96 o preço. Estou falando só pra senhora não desmaiar no caixa. (falou isso mesmo)
- Como assim?
- É, ohne Stufe custa 5,99 a mais.
- Mas por que já?
- Por que agora vou ter que cortar tudo reto e vai levar uma era. (falou isso mesmo).
Eu, com o cabelo molhado sentada na poltrona, já estava com o destino traçado: paguei 23,96 Euros por um corte que podia ter feito em casa, bem canalha. E logo eu que me amarro em bater recordes de economia em áreas que mulheres geralmente gastam potes de dinheiro.
Mas pelo menos vou poder dizer: quem cortou meu cabelo foi a Cindy, do 5€ Friseur.
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Oktoberfest – melhores momentos




Mais cliques aqui.
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O verão alemão 2011 está broxante. A cada três dias faz um sol de rachar, daqueles de matar velhinhos europeus. Nos outros dois dias, chove ou fica nublado. Mas verão não tão quente é o tempo ideal para o alemão usar sua combinação fashion preferida, mais característica e mais linchada internacionalmente: aktiv-Sandalen com meias!
Essa semana estava eu folheando um encarte do Aldi e me deparei com uma oferta dessas tais “aktiv-Sandalen”, mais conhecidas entre nós como sandálias de gringo, como tão bem definiu minha conterrânea Dayse Freitas. São sandálias funcionais, confortáveis para andar e fazer caminhadas mais longas. Realmente, são mais adequadas para os pés em termos ortopédicos do que um chinelo tipo Havaianas. Só que são muito, mas muito feias.
E tem as meias, acessório que não dá pra abrir mão quando faz tipo, 23 graus (oi?). Sandália com meias, de preferência de uma cor que faça um contraste berrante com a cor da sandália. Ah, e calça capri (ou corsário, ou pescador, como vocês chamam?), mas isso fica para um outro post!
O resultado dessa combinação é uma ilustração perfeita das preferências dos alemães no campo de moda e vestuário: cagando e andando para a estética, eles só querem saber de conforto. O que é ótimo! Mas fica muito feio, amigo.
Outra coisa: a diferença nos modelos das sandálias de gringo em comparação com os famigerados Hausschuhe (sapatos de ficar em casa) é uma linha tênue, bem tênue. Na maioria das vezes não dá para saber se o rapaz ou a moça saiu de casa sem tirar, bem, o sapato de ficar em casa. Como por exemplo, na imagem abaixo:

Pesquisando em fóruns, encontrei questionamentos inacreditáveis de alemães inconformados com a intolerância, do tipo: “Mas por que é pecado na moda usar sandálias com meias? Por acaso devemos usar sandálias descalços?” E também desculpas esfarrapadas, como “se os romanos usavam sandálias com meias, é porque sabiam de alguma coisa!”
Er…enfim. O meu veredicto é o seguinte: custa mostrar uns dias os pezinhos depois de passar 10 meses do ano de sapato fechado e meias?
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Uma outra instituição cultural na Alemanha é o duende. Mais do que o Papai Noel, Hitler, Martinho Lutero, ou similar, o duende – ou elfo – é um ícone presente na casa de toda família alemã que se preze. Primeiro ele aparece no jardim, reinando entre as plantinhas. Depois dentro de casa, em bibelôs. E agora o duende também aparece na moda.
É isso aí, amigos. Existe um nicho de alemão que gosta de se sentir meio duende. Pelo menos é assim onde eu moro, em um desses bairros cheio de pessoas “alternativas” que compram artigos hippies made in Marrocos ou Cambodia ou Nepal e se acham o máximo.
Começa pelo casaquinho de flanela em cores duendísticas, com aquele indefectível capuz de elfo. Aí vem a calça de veludo, também em cores de duende. Por último vem o sapato, que tem aquela ponta que aponta pro teto, uma coisa meio duende/bobo da corte. Toda a paleta de cores é meio idade média. Para dar o toque final, acrescente um vestido bem surrado por cima da calça de veludo.
Sim, as hippies alemãs não dominam a arte da revolucionária combinação vestido-calça jeans.
A moda elfo é uma ramificação da tendência riponga de boutique, que é meio last year, né?
Um dos maiores fetiches alemães é vestir as crianças de pequenos elfos, mas numa vibe bem low profile, espontânea, sem aquela intenção de fantasiar os filhos, como é o objetivo de muitas mães mundo afora. Mas na minha opinião os pais dos elfinhos são muito neo-hippies demais da conta para darmos esse crédito. Eles querem fantasiar os filhos sim!
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Tags:duendes, elfos, hippies na alemanha
O blog fez um ano e eu nem tchum. Então, para comemorar o vindouro um ano do blog, vou estrear esta nova sessão. Claramente inspirada no Stuff white people like, tive essa ideia porque quero fazer uma compilação de coisas que os alemães gostam e que, depois de anos morando aqui, acabo achando peculiares e (quase) não me irritam mais. Viel Spass!

Cortar barato é uma especialidade alemã, acho que chega até a ser uma instituição cultural. Depois de não sei quantos séculos de guerras, nazismo, comunismo e o diabo à 4, os alemães não se alegram assim rapidinho com as coisas simples da vida. O negócio tem que ser garantido para gerar uma empolgação legítima na pessoa.
E eu, que sou uma pessoa até um pouco pessimista, mas que me entusiasmo com a possibilidade de encontrar Ruffles na próxima esquina – pois é, não sei como é no Oeste, mas por aqui não tem Ruffles -, vejo meu barato sendo cortado com muita frequência neste país. E eu odeio isso. Alguns exemplos:
Tamine: “Rapaz, abril chegou e com ele o verão! Uhuuuu! Vou tirar o biquíni do porão!” – percebam que aqui utilizei uma espécie de hipérbole para expressar minha alegria pelos dias menos frios que estão aparecendo.
Pessoa alemã: “É mas ‘April weiß nicht was er will’ (abril não sabe o que ele quer), então pode até nevar esse mês!” – percebam que a pessoa alemã não entendeu a minha piada, como sempre.
Tamine: “Estou grávida de Luiz Carlos Prestes e vou ter o filho no Brasil!”
Pessoa alemã: “Ué, mas aí você não pode mais viajar de avião” – interlocutor estudou até a quarta série.
Tamine: “Olha só essa batedeira do Lidl. Custa só 19,90. Não é uma super pechincha?”
Pessoa alemã: “Não, olha aqui como o botão solta fácil. E também essa marca é famosa por utilizar componentes plásticos tóxicos.”
Tamine: “Achei finalmente um genérico do Ruffles, o Riffles! Estou tão feliz!”
Pessoa alemã: “Sim, mas olha aqui o quanto de glutamato monossódico eles colocam. Sem falar nos conservantes e intensificadores de sabor por 25g.”
No próximo “Coisas que os alemães gostam”: vestimenta de duende! Aguarde!
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Até o Jack toma banho em dupla!
Este é o post que vai mudar sua vida (er…se você mora na Alemanha ou na Suíça ou na Dinamarca, países onde a água custa muito caro). Seguindo as orientações contidas a seguir, você vai finalmente virar um deles, ou seja, ser um alemão da gema, meu campeão. Eles, sim, podem comemorar sem grilos de consciência o dia mundial da água (é isso?).
Antes devo contar sobre a near death experience (Ross Geller feelings…) que tive antes de escrever esse post.
Eu conheci a mulher mais fedida do mundo. Sim, é verdade.
Estava eu feliz e contente em uma exposição de trabalhos acadêmicos, ou seja, um ambiente amplo (não era elevador ou banheiro), quando ela se aproximou de mim e falou com o meu respectivo. Eu não a conhecia, mas os pensamentos que vieram à minha cabeça naquele momento ela não gostaria de saber jamais:
“Meodeos, pelamordedeus amiga, o que é isso? Cof, cof, tá difícil de respirar… Vou fingir que vou olhar outros cartazes ali atrás… - Ah, oi, prazer, Tamine. Meu jesus amado!! Há quantas estações você não lava esse pullover? Com certeza desde a queda do muro!”
O drama foi intenso, mas eu superei e me inspirei. Por isso fique agora com as dicas.
1 – Tome aquele banho brasileiro só uma vez por semana. Nos outros 6 dias, utilize o mínimo de água possível para higienizar as regiões que estejam porventura com a validade vencida. É aí que entra o item a seguir…
2 – Seja adepto do Waschlappen. Imagine que você chega do trabalho fudido, cozinha, arruma as crianças, varre o chão, vê um filminho e começa a se preparar para ir deitar. É chegada a hora do “asseio”. Um ser humano brasileiro abre o chuveiro e dá aquela lavadinha canalha – mas uma lavadinha! – pra dormir cheiroso. Uma lavadinha com água corrente, que fique claro. Já na Alemanha, o conceito de água corrente não acompanha o indivíduo em suas tarefas de asseio, porque eles usam esse apetrecho abaixo: uma toalhinha que cabe com perfeição na sua mão como se fosse uma luvinha, veja só. É um negócio deveras prático. Você molha na pia, lava suas regioes com validade vencida, dá uma enxaguada na toalhinha e deixa ela (ok, essa é a pior parte) em cima do aquecedor, pra amanhecer bem secadinha para o próximo dia!

3 – Divida a descarga. Cada descarga utiliza 30 litros de água, assim, quase para nada. Se você morar com seu parceiro ou parceira, alguém com quem você tenha intimidade suficiente para não se importar em exibir sua arte, adote esta técnica revolucionária. É assim: depois do feito, não dê a descarga. Espere pelo próximo feito de seu parceiro e assim, economize 50% das descargas, ou seja, uns 800 mil litros de água.
4 – Lave pullovers e casacos uma vez a cada 15 anos. Afinal, a camada de suor demora a chegar no tecido por causa das outras milhares de camadas de tecido existentes antes dos casacos.
5 – Tome banho junto de alguém. Para isso você deve arrumar um namorado ou namorada. Na falta, arranje um roommate bem cabeça aberta. Pode também chamar o vizinho. Se ele for alemão da gema, tenho certeza que não vai recusar. Todos ganha!
6 – Não tome banho depois de ir pra piscina ou lago. Essa é auto explicativa, afinal, pra quê tomar banho se você acabou de tomar um, né?
7 – Lave a louça com a mesma água durante a semana inteira. Quem mora aqui já deve estar acostumado com o jeito alemão de lavar a louça: posiciona-se a louça toda na pia, enche-se a pia com água quente, acrescenta-se um pingo de detergente biodegradável, esfrega-se tudo, deixa-se secar e enxuga-se com o pano de prato. A minha dica é: não desperdice essa água! Deixe na pia até ela ficar totalmente inutilizável, apenas adicionando a água quente que sobrou do chá, café ou do cozimento do arroz para dar aquela esquentada.
E vocês? Alguma dica para aumentar a lista? =)
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Tags:água, banho na alemanha
O Nutella do Leste!
Nudossi na minha cozinha
Nunca entendi por que vendem o Nutella como saudável e nutritivo para o café-da-manhã das criancas do mundo. O negócio é açúcar puro com um “toque” de avelã. Um dia vi um comercial de Nutella em Paris, e era tipo uma sugestão de petit déjeuner para os pequenos. E o que era? Pão (branco, croissant) com Nutella e um copo de suco de laranja!!!!
Ok, chamem uma nutricionista, bitte. Isto não pode estar certo.
A dica do dia é a opção “vegetariana” (//exagero detected//) e alternativa do Nutella, uma invenção saxônica! Uma invenção da República Democrática da Alemanha, ou seja: o Nutella comunista!!! (forcei de novo)
O Nudossi é produzido desde os anos 1970 no Leste Alemão, mas especificamente em Radebeul, uma cidadezinha que fica aqui perto de Dresden. Mas, segundo fontes seguras, não era tão fácil de encontrar o produto durante os anos da RDA. Um creme de avelã era algo altamente cobiçado pelas famílias acostumadas a comer o pão com mel e marmelade de ameixa feita no último verão.
O Nudossi era vendido em lojinhas de “delicatessen” na RDA. O problema é que tais lojinhas comercializavam coisas preciosas e difíceis de achar. E tinha que pagar na moeda do Oeste, ou seja, o marco alemão, pois o dinheiro da RDA era muito desvalorizado. Meio injusto com o povo, né não?
O grande diferencial do Nudossi é a porcentagem de avelã: 36%. O Nutella: 13%. Você vê que no rótulo do Nutella tem umas avelãzinhas para ilustrar, mas o certo deveria ser umas sacas de açúcar refinado rodeando o pão. O Nudossi tem tanta avelã, que às vezes formam-se pocinhas de óleo dentro do potinho. Isso vem até escrito “como advertência” no rótulo, junto a uma orientação para “mexer bem”. Ai ai, typisch deutsch!
O detalhe curioso é o seguinte: a alta quantidade de avelãs do Nudossi não é algo que possa ser creditado à boa intenção de seus fabricantes, preocupados em oferecer uma alimentação balanceada para o povo do Leste. O negócio era que arrumar avelãs de verdade na RDA era mais fácil do que arranjar aroma artificial de avelã!
Mas claro que hoje em dia a profusão de avelã do Nudossi é o carro-chefe da propaganda!

Nudossi é east pride!!!
Esse post dedico para a Emilia.
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Hoje faria 100 anos a atriz alemã Agnes Kraus. Ela morreu em 1995 e era a atriz mais famosa da programação televisiva do Leste Alemão. Ficou popular por meio dos inúmeros filmes que fez para a TV da RDA, principalmente com os papéis da enfermeira Agnes e da veterinária Alma (foto).
Apesar do sucesso na TV, Agnes era na verdade uma atriz do teatro. Ela fez parte do grupo de Bertolt Brecht, a Berliner Ensemble, mas poucos lembram disso.
Hoje, alguns veículos alemães lembraram dos 100 anos de Agnes.
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Tags:agnes kraus, rda, tv na rda
Fotinho pro dia que foi nublado

Tudo em riba pra comemorar o final do inverno? Tá chegando, gente! =)
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Pastel na Alemanha – um tributo
Essa imagem não vai me deixar dormir hoje
Rapaz, é duro o que vou confessar agora. Mas depois de quase 2 anos morando por aqui e de um processo de adaptação aos costumes alimentares alemães totalmente bem sucedido, cheguei numa fase de basta. E para completar, estou em condições fisiológicas que só pioram esse quadro de enjoamento. Ou seja, cheguei do Brasil – passei 5 semanas lá – sem paciência nenhuma para a comida alemã e com toda a fome do mundo para a comida do Brasa. Começando pelo pastel.
Ah, mais uma confissão: antes de vir para cá, sempre julguei as pessoas que ficam saudosistas demais com a comida do Brasil, do tipo de não conseguir viver sem brigadeiro (hello, com tanto chocolate bom e barato por aqui!) ou farinha (minha vantagem é que só como farofa) ou, sei lá, suco de umbu (aka brazil plum, aqui tem, pasmem). No mínimo achava que essas pessoas deviam voltar pro Brasil e parar de reclamar. Bem, eu ainda acho isso. Mas depois que voltei do Brasil e me deparei com aquele chucrute de repolho roxo com pedaços de maçã e carne de veado caçada por um alemão da gema (nós brasileiros não estamos acostumados mesmo à carne selvagem, só à carne geneticamente modificada dos porrudos bois e vacas da Pindorama!), não aguentei. Depois de uma rápida ida ao banheiro decidi que ia voltar às origens.
Me dou muito bem com outras cozinhas, principalmente asiática, e tenho muitos livros que fomentam no meu lar doce lar o cozinhar globalizado. Mas galero, a Alemanha é um país sem coxinha. Isso é muito grave e precisa ser consertado por meio de atitudes esporádicas, que vão causar muita sujeira na sua cozinha alemã, mas valerão a pena.
Então hoje eu estava num desejo louco, potencializado por essa imagem+receita estampada na primeira página do Uol hoje. Mas ehrlich gesagt amigo, quem é o doido que vai fazer massa de pastel do nada? Foi aí que fui em busca de um Ersatz, uma substituição para a massa de pastel que compramos congelada ou pré-congelada no Brasil. E eis que na primeira busca no orágoolo, já achei a solução para todos os meus problemas existenciais-friturais.
Maultaschenteig! Massa de Maultaschen!
Maultaschen é o raviolli alemão. E os alemães mais fervorosos defendem a tese de que Maultaschen é melhor que raviolli porque tem mais recheio e tal. Ok, vou me abster dessa discussão que coloca em primeiro lugar uma comida alemã e em segundo uma italiana. Mas é verdade que as Maultaschen são mais gordinhas sim. Olha aí:
Aí é o seguinte: eu achei dois posts muito prestativos nos blogs Caminhos da Lu e Retratos e Relatos que me revelaram esse segredo, que na verdade é super óbvio, o tipo de coisa “como não pensei nisso antes”!
Prometo que vou tentar essa semana e conto o resultado aqui no blog depois. Não vai ficar bonito como esse da foto do post (que é do site Basilico, by the way), mas de resultados estéticos e “gourmet pride” já tenho muito nas fotos super produzidas dos livros que possuo.
Mal sehen!
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Tags:chucrute, massa de maultaschen, maultaschen, pastel






