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Revista INTRO e 33 lugares na Alemanha que marcaram a história da música pop

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Vamo falar de coisa boa? Tem uma revista alemã de música e cultura muito boa dando sopa por aí. É a INTRO, e você com certeza já viu alguma jogada por aí! Afinal, essa revista, altamente recomendada pela nossa equipe, é disponibilizada absolutamente de graça em pontos estratégicos no país.

Você também pode folhear a revista online aqui.

O negócio é que a edição de marco tem uma matéria muito legal com os 33 lugares na Alemanha que marcaram a história da música pop. Desde o hotel onde o Michael Jackson pendurou seu bebê de poucos meses em Berlim, até o estúdio em Düsseldorf onde o Kraftwerk fez suas primeiras gravações. Li a matéria e selecionei os lugares mais interessantes:

Leipzig - Foi em uma casa de shows nessa cidade que o Rammstein, banda alemã mais famosa internacionalmente (alguns vão dizer Scorpions), fez seu primeiro show para apenas 15 pessoas em 1994.

Ostsee - Foi na paradisíaca ilha Fehmarn na costa leste da Alemanha que Jimi Hendrix fez seu último show, no dia 6 de setembro de 1970, durante o Open Air Love & Peace Festival. No fim desse mês, ele morria em Londres.

Rottach-Egern (Baviera) - Foi em uma famosa clínica para pacientes de câncer onde outros prominentes já haviam marcado ponto, entre eles Steve McQueen, que Bob Marley passou praticamente suas últimas horas. O tratamento contra o câncer de pele infelizmente não deu certo e, ao voltar para os EUA, ele morreu apenas 40 horas depois em Miami.

Berlim - Bem, essa com certeza vai ser minha próxima parada quando em Berlim: visitar o túmulo da Nico, que fica no cemitério Grunewald-Forst. Ela morreu em Ibiza em 1988 e foi enterrada na capital alemã junto a sua mãe, Margarete.

Landsberg am Lech (Baviera) - Foi em Landsberg que Johnny Cash comprou seu primeiro violão e fundou sua primeira banda! Na época ele estava estacionado na região como sargento das tropas americanas. O nome da banda: The Landsberg Barbarians. Como se não bastasse, também foi ali que ele escreveu a música “Folsom Prison Blues”.

Weilerswist (Nordrhein-Westfalen) - Era nessa cidadezinha entre Eifel e Colônia que entre os anos de 1971 e 2007 o Can, uma das bandas mais seminais do Krautrock, tinha seu estúdio.

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Mörfelden-Walldorf (Hessen) - Essa é com certeza a melhor de todas. Em um estúdio na rua Gerauer Straße o compositor e produtor alemão Nosie Katzmann compôs o hit “Mr. Vain”, pérola do Eurodance. Cumequié? Nao tá ligando o nome à música, peraí que eu ajudo.

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O item mais indispensável EVER para suportar o inverno alemão

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Oi, amigo que viu um fiapo de Sol no fim do túnel e foi logo pensando que a primavera na Alemanha já ia começar! Um beijo!

Pois é, voltou a nevar e fazer graus negativos e tivemos que voltar a pegar friagem frische Luft bem geladinho por aí. Mas isso não é um problema, uma vez que a esperança é a última que morre e você está lendo este post que vai te dizer qual o item mais indispensável de todos os tempos para não morrer na beira da praia.

*Disclaimer*
Esse é um post desenvolvido especialmente para aqueles cuja circulação do sangue não funciona muito bem, ocasionando a patologia que caracteriza o indivíduo como friorento. Sigamos.

Existe um apetrecho que é indispensável para quem fica sempre com os pés e mãos gelados dentro de casa. Se chama Wärmflasche, ALSO KNOWN AS, a boa e velha bolsa de água quente. Isso, aquela que você usava para aplacar cólicas menstruais no Brasil, aqui serve para aplacar mazelas muito mais graves. O FRIO!

Eu sou (muito) friorenta. E a bolsa de água quente simplesmente é minha melhor amiga de todas as horas na minha vida de alemanete. Ela está comigo quando preciso trabalhar no computador, ver filme no sofá, dormir, comer, rezar e amar.

Para que o uso da bolsa de água quente seja o mais eficiente possível, é recomendado que você tenha um daqueles “Wasserkocher”, esta engenhoca desconhecida de nós brasileiros em nossa vida pré-Alemanha, mas extensão do nosso ser pós-Alemanha. Este fervedor de água vai te ajudar para que você faça uso da sua Wärmflasche o mais rápido possível.

A oferta destas bolsas é grande no mercado. De todas as cores e formatos, algumas até vendidas em Sex Shops, a Wärmflasche, e não o cachorro, é o melhor amigo do homem alemão. A bolsa de água quente também acaba sendo um presente super bacana para dar de Natal, uma vez que alemães adoram presentar seus semelhantes com coisas úteis, né?

waermflasche-herz-weissWärmflasche, ich liebe dich.

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A Namíbia e as ‘GDR kids’

kindergruppe-schloss-bellinImagem tirada daqui.

Uma história interessante que li há alguns dias no jornal Die Zeit, e que também faz parte da lista seleta de assuntos que eu dificilmente teria acesso não fosse o querido e eficiente sistema de feeds do meu email, foi a das crianças trazidas da Namíbia para a Alemanha Socialista. Você conhecia esta história? Eu não.

Essas crianças viveram o drama de serem praticamente deportadas para a Alemanha, e de repente depois terem que voltar para a recém-independente e capitalista Namíbia, após a queda do Muro de Berlim.

Hoje aquelas crianças de então seguem caminhos totalmente diferentes.

É o caso de Paul Shilongo. Quando tinha apenas quatro anos, na Namíbia, o fizeram embarcar para uma “galaxy far, far away”: a República Democrática da Alemanha. Paul era uma das crianças namibianas que passariam a infância na Alemanha socialista. As crianças moravam em uma espécie de internato onde eram criadas como líderes em potencial para continuarem a chamada “elite socialista” na Namíbia. “Vocês vão construir a Namíbia de novo!”, é a frase que vem nos sonhos de Paul até hoje.

O esquema era quase militar. As crianças deviam desenvolver suas habilidades corporais, independência e acima de tudo serem educadas para o serviço militar. “Zucht und Ordnung”, disciplina e progresso eram as palavras chaves da criação. Na escola, quem tirasse um 9 era punido de alguma forma. Havia também a educação político-ideológica, a mais importante de todas.

O destino dessas crianças era trabalhar como médicos, burocratas, economistas, etc, no futuro Estado socialista da Namíbia, se tivesse havido um.

Em 1990, depois da reunificação das Alemanhas, as crianças namibianas precisaram retornar ao seu país de origem, porque não houve um programa cultural que as integrasse na nova realidade alemã. As “crianças” já eram adolescentes em seus cerca de 15 anos e voltariam a viver em uma cultura totalmente diferente, mas ainda a de sua terra natal. Algumas nem falavam mais sua língua materna. Só alemão, fluente e sem sotaque.

No momento da volta, o então recém-eleito novo presidente da Namíbia, Sam Nujoma, tratara as crianças como “heroínas da luta pela liberdade”. Na mídia ficaram conhecidas como “GDR (German Democratic Republic) kids”. Depois foram esquecidas.

Os pais de Paul e muitos outros morreram em conflitos nos anos 70 entre Angola e África do Sul. A Namíbia, que antes da independência chamava-se África do Sudoeste, fica entre os dois países, em posição estratégica). Em um desses ataques, em maio de 1978, o exército sulafricano bombardeou Angola e milhares de pessoas perderam a vida. A situação de calamidade fez com que a SWAPO (South-West Africa People’s Organisation, o movimento marxista de guerrilha contra a ocupação sulafricana do país) pedisse ajuda aos países do bloco comunista e a RDA respondeu que poderia cuidar em seus hospitais dos soldados e civis feridos no bombardeio.

Estava no pacote de ajuda também receber os filhos de refugiados vivos ou mortos no conflito. Até 1989 embarcaram 400 crianças namibianas neste esquema para a região de Mecklenburg, ao norte da Alemanha.

Paulo lembra de um homem chamado Abel Shafa Shuufeni, o encarregado de cuidar das crianças, e suas frases preferidas: “Vocês precisam dar o melhor de vocês na escola para serem os melhores! Vocês serão os futuros líderes da terra de vocês!”. Paul ri, afinal, hoje ele vive de limpar carros e ganha o equivalente a 1 Euro por dia.

Órfão, Paulo foi adotado por uma família de origem alemã quando retornou à Namíbia. Eles pretendiam continuar com a “educação alemã” que o menino tinha recebido, ou seja, sempre alerta para disciplina, limpeza e ordem. Aos 17 anos Paul começou a beber e seguir um caminho não muito exemplar para essa equação de valores germânicos. “Ele não era alemão, era apenas um negro que sabia alemão”, conta sua mãe adotiva hoje. Os dois não têm mais contato.

Apesar do sistema de internato em que vivia, Paul lembra da RDA com saudades e nostalgia que poucos alemães ainda conseguem lembrar. A terra onde foi pela única vez feliz.

Este texto foi publicado em 24.11.2010 no Blog do Noblat.

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Viciados em Schnaps

schnaps

Schnaps é toda e qualquer bebida destilada. Todo alemão do Leste tem no armário várias garrafas de Schnaps para várias ocasiões da vida. Seja um resfriado, uma dor de barriga, uma azia, uma orgia gastronômica, uma ressaca ou uma celebração.

Quando cheguei aqui, estranhei essa mania. “Peraí, vão me dar Schnaps ao invés de vitamina C? Mas eu tô resfriada!”. E assim, em quase 2 anos fui ganhando toda uma nova imunidade no meu sistema imunológico antes falho. O problema é que me tornei meio alcóolatra, grosso modo.

O costume de beber Schnaps, típico do Leste alemão, foi objeto de estudo durante 4 anos do historiador Thomas Kochan. De sua tese, saiu o livro “Blauer Würder – So trank die DDR”, uma pesquisa sobre a presença do álcool nas casas da RDA. Kochan concluiu que a relação dos “Ossis” (alemão do Leste) com a bebida era acima de tudo uma relação afetiva.

Seja por falta do que fazer no tempo livre ou para relaxar na rotina do sistema comunista, os Ossis gostavam de saborear uma Schnaps mais do que tudo. Mas nessa minha afirmação mora um preconceito e um clichê. Na pesquisa para a tese, Kochan não encontrou evidências de que as pessoas bebiam para fugir daquela aborrecida realidade e sim para celebrar um dado momento ou simplesmente saborear um licor, uma vodka, um rum, um conhaque.

A República Democrática da Alemanha bebeu realmente muito. Em 1955 uma pessoa na RDA bebia 4,4 litros de Schnaps por ano. Em 1988 eram 16 litros, ou seja, quase 23 garrafas por ano.

A pesquisa para a tese mudou a vida de, Kochan, que esse ano abriu uma pequena loja de Schnaps em Berlim chamada “Schnapskultur”.

Uma das minhas Schnaps preferidas é o clássico Kräuterlikör: um preparado de alguma bebida de alto teor alcóolico com ervas. Tem gosto de Biotônico Fontoura, mas você se acostuma. Logo abaixo na minha lista de preferências vem o Eierlikör, um licor que leva gema de ovos na preparação. É tão gostoso e docinho – por isso aparentemente inofensivo – que chega a ser a primeira Schnaps na vida das crianças alemãs. E também ingrediente de bolos, sorvetes e coberturas. Hummm.

Mas se você me perguntar o que eu mais gosto nesse contexto da Schnaps, eu lhe digo: do ritual. Como eu moro em Dresden e visito com frequência cidadezinhas aqui pelos arredores da ex-RDA, consequentemente acabo participando do ritual da Schnaps na mesa das famílias alemãs.

Depois das refeições, cada um ganha um copinho com a pinga da vez: jovens, adultos e velhos. Se alguém foi ao banheiro ou fazer outra coisa, é de lei esperar-se que a pessoa volte à mesa para completar o grupo e, enfim, brindar. “Prost!” E tome Kräuterlikör. Afinal, só assim para digerir tanto porco, batata e chucrute, né?

schnaps_1604155Charge daqui.

 

Texto publicado em 04.2011 aqui.

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Dica de filme: “Sophie Scholl” (2005)

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Sim, outra dica de filme, aproveitando uma notícia da Deutsche Welle compartilhada no Feice hoje pela Ivana. Peralá que a notícia tem a ver com o filme! Mas é melhor lê-la antes, pra eu não ter que explicar tudo de novo.

Corta. Agora você já sabe um pouco sobre o Weiße Rose, movimento estudantil de resistência a ditatura de Hitler.

Em fevereiro de 1943, este movimento, composto por 5 pessoas, organizou uma ação na Universidade  Ludwig-Maximilians (LMU, para os íntimos, a segunda maior Uni da Alemanha) para distribuir folhetos anti Hitler entre os estudantes. Por causa disso, os integrantes que participaram ativamente da ação foram condenados à decapitação alguns dias depois.

Tudo isso é mostrado no filme, com atenção especial para a irmã de Hans Scholl, Sophie (interpretada pela atriz queridinha Julia Jentsch). O filme é sobre a vida desta jovem, que infelizmente morreu muito cedo e injustamente vítima do sistema. E ontem, dia 22 de fevereiro, foram lembrados os 70 anos de sua execução. A partir desse dia, Sophie e seu irmão Hans viraram mártires na Alemanha.

O roteiro do filme se concentra no que se passou na vida de Sophie depois da distribuição dos panfletos, e dá uma importância extra aos tensos interrogatórios da Gestapo, pelos quais foi submetida antes de sua morte. Prepare-se para roer as unhas.

Já faz uns anos que vi esse filme, mas lembro que me impressionou muito. Quando fui procurar mais sobre ele, também descobri que o personagem do excêntrico juiz que condenou os irmãos Scholl à guilhotina realmente era como mostram no filme: um louco fanático varrido, chamado Roland Freisler. E as cenas dos interrogarórios foram baseadas em transcrições reais nunca publicadas.

3a598a8b55Sophie Scholl. Crédito: Wortbild.de

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