Generation Outdoor

Em um post no site das meninas do 02Neurônios, Nina Lemos um dia fez uma descrição da moda das meninas em Berlim, e ela se resume em uma palavra: leggings. Em todo canto, em toda classe social (ou intellectual, faz mais sentido), em todo comprimento de vestido, em todas as cores e texturas, as leggings na Alemanha sao ultracool e fizeram a Nina também se sentir ultracool em Berlim. Só que quando ela voltou ao Brasil, as leggings já nao eram tão bacanudas assim, pareciam um acessório quebra-galho qualquer comprado em uma “Marisa” da vida. De qualquer maneira, fiquei pensando em leggings…e na moda germânica.

Pronto pra o "date" na mata.

Uma vez estava lendo um livro chamado “The Sweet Life in Paris”, onde um chef americano conta sobre seu dia-a-dia em Paris e as desventuras pelas quais passou para se adaptar ao exigente estilo de vida parisiense. Por exemplo, depois de uns meses na cidade, ele se flagrou vestindo de sua melhor muda de roupa para colocar o lixo pra fora, com medo de ser visto por algum vizinho vestindo algum moleton velho.
Na Alemanha aconteceria exatamente o contrário. Em posse de seu moleton mais velho (com furos fica mais legal), calca Capri mais surrada e botinas furadas, Frau Schmidt, 34 anos, sairia despenteada de casa rumo à feirinha semanal de verduras e legumes orgânicos, com o perdão da expressão, cagando e andando para as imposições da sociedade e da moda!
De uma maneira geral, os alemães só tem uma palavra em mente quando se fala de moda: conforto. Eu nem sei se a palavra moda é aplicável, pois um duo bem comum por aqui é o clássico „sandália com meia“, e, se não me engano, esse já saiu de moda há algumas décadas. Isso sem falar no „visu Leste“, quando o sujeito combina jaqueta jeans com calça jeans no mesmo tom. Adicione um mullet e voilá, ou melhor, fertig.
Bolsas de grifes italianas (falsificadas ou não), aquelas edições espetaculosas “em neon” da Nike, jeans que custam 2 salários, enfim, esses objetos de consumo não tem vez aqui. É brega, kitsch. O estilo “italiano”, em verdade, é o próprio arquétipo da breguice, na opinião do povo daqui.Esse desapego de marcas famosas e bolsas Louis Vitton parecia ser a cereja do meu bolo alemão, até que observei que o alemão se importa e muito com marcas.
O jovem alemão pode, sim, gastar 2 salários em algum artigo, mas será em alguma peça funcional-hightech da chamada outdoor fashion: a única moda em vestuário que o alemão aderiu “com fé” e em massa. O desempenho dos tecidos-funcionais-de-alta-tecnologia-fabricados-com-carbono-de-bambu respirável-resistentes-a-sol-chuva-e-canivete-desenvolvidos-a-partir-de-estudos biomecânicos são uma mão na roda. Um momento para reflexão.

Estilo outdoor também pode ter fendas

Um dia existia uma montanha. Em outro dia, existiram os alpinistas. Algum tempo depois, esses alpinistas já tinham escalado as montanhas mais altas do mundo. Até aí tudo bem, esporte radical é para poucos. Mas tudo mudou quando dois montanhistas alemães trouxeram à esfera “amadora” o sonho de escalar o Everest – apenas o sonho. E pronto, estava criada uma nova “tendência”. A propósito, os dois montanhistas “rockstarts” se chamam Reinhold Messner e Huber Buam e são os gurus da chamada “Geração Outdoor”.
Desde que Messner e Buam popularizaram o montanhismo entre os mortais, a cena “outdoor” tem crescido de forma fulminante e em apenas 10 anos, as “roupas funcionais” já consquistaram 3 gerações, inclusive a mais velha! Observo atenta nos trens os casais de velhinhos andarilhos e seus casacos estilo Patagônia. E nos pés, a botina esfarrapada há 3 gerações.
A Geração Outdoor tem um impacto muito maior na Alemanha – e similares! – porque os jovens daqui não tem fissura pela urbanidade e de preferência estão sempre em contato com a natureza, escalando uma montanha ali, encarando uma trilha acolá – e perpetuam essa cultura em suas famílias. Lojas como a alemã Globetrotter, antes direcionadas ao “povo do esporte radical”, são agora áreas de lazer para famílias em busca de um aumento no arsenal esportivo ou “amigo do meio ambiente”, seja um capacete de bicicleta novo para o bebê, ou uma mochila de laptop desenvolvida para caiaques.

Visu "Lost" - da mata para a cidade.

Pelo que percebi em minhas pesquisas visuais, alemão passa o inverno todo com seu melhor amigo, o casaco multifuncional North Face ou Jack Wolfskin. Um segundo casaco está programado para ser adquirido dentro de uns 6 anos, ou até que comece a entrar neve pelo buraco que se abriu devido à fricção da axila com os pullovers durante uns 7 invernos.
Como todo alemão ou austríaco já nasce andarilho, a indústria do Outdoor vai lucrando e muito com as benesses dessa tendência , mesmo gastando milhões no desenvolvimento de materiais à prova de fogo, provavelmente inspirados em alguma matéria-prima abundante em países subdesenvolvidos.

Seita mormon? Ritual no Tibet? Nao, sao os praticantes do nordic walking prontos para a luta.

*Imagens tiradas do catálogo da Globetrotter.

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4 respostas para Generation Outdoor

  1. Dayse Freitas disse:

    Bródi, muito complicado pra postar lá no Noblat! kein Bock!

    Entao, depois que li o Post tive que lembrar da ocasião em que visitava os velhos do meu namorado lá nos “alpes austríacos”. A “sogra” percebendo a minha falta de prepararo e o total desconhecimento sobre as tendências fashionistas para a temporada no gelo me ofereceu getilmente alguns acessórios para “bombar” nas montanhas. Claro, que fiquei toda besta diante de botas altamente resistentes aos -20, gorros,óculos etc..etc.O que quero dizer é que percebi que o povo investe realmente pesado e não abre mão dessas marcas que citastes no texto.

    Eu fico me perguntando se algum vou me dar ao luxo de possuir uma daquelas “Jack Wolfskin”. Po enquanto, meu orçamento não me permite mais que uma jaqueta da New Yorker ahauahaahauahaau. Sobre Berlin, eu ainda defendo a teoria de que esse jeito meio “to nem aí pras tendencias” faz deles uma galera espontaneamente descolada, coisa que a classe média brasileira tenta a todo custo copiar e nao sabem o qto soa forçado.

    Ah, qualquer dia podemos falar sobre a obessão do homem berlinense pela calça “skinny”…o que me deixa até hj sem condições de num primeiro olhar definir a peferência sexual de qualquer um deles!!!

    ganz lieben grüss!!!

    • Tamine Maklouf disse:

      jesus cristo, as calcas skinny! ahahahahah
      tinha esquecido delas.
      o lance das roupas a prova de bala é que elas duram tipo meia vida. é realmente um investimento! o estevao comprou uma Winter Jacke de 30 Euros no Lidl e nas primeiras semanas já arrebentou o zíper. Tá aí até hoje, se decompondo aos poucos. ahahahha

  2. Fernando disse:

    Puutzz…
    Excelente, hein?
    Isso só demosntra uma coisa… nasci no país errado! =D

  3. iarabalduino disse:

    Uau, tb quero um casaco que protege do fogo e fumaça de vulcão…

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