O incrível mendigo alemão

Ontem aconteceu (mais uma) coisa incrível.

Estava levando uns 20 quilos de papelão para o lixo, quando sou abordada por um homem na rua. Calma, não foi uma abordagem romântica, afinal, o processo de latinização do homem alemão ainda progride de forma lenta.

O cara estava simplesmente pedindo uma esmola, “eine kleine Spende, bitte”.

Euri. O homem, por ser desempregado e sem muita vontade de mudar isso (percebe-se pela idade, cheiro, roupa e pela sacola cheia de garrafas vazias), já deve receber do Governo mais dinheiro que todos os meus amigos jornalistas que têm 2 empregos pra sobreviver. E ainda tinha um cachorro, o que significa que o doido ainda recebe o famigerado Hundegeld, a inacreditável “bolsa-cachorro” da Alemanha.

Mendigo alemão, cheio dos cachorros. Foto: Ronald Sawatzki

Prefiro guardar todas as minhas moedinhas de 1 centavo de Euro, trocar no Brasil e dar para o primeiro mendigo brasileiro que aparecer na minha frente.

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11 respostas para O incrível mendigo alemão

  1. Fernanda disse:

    Acredito que todo governo tem o dever de ajudar sim os animais de quem não pode, como acontece em grande parte da Europa.
    Se o mendigo quer limpar a bunda com o dinheiro, problema é dele. Se ele quer morar em uma casa, também é problema dele. Se ele quer pedir esmola, é mais problema dele ainda. Basta decidir se você vai dar o dinheiro ou não.
    Se ele é alcoolatra, deve ser MUITO fácil sair de um vício sem apoio familiar nenhum, correto? Realmente, deve ser.
    Ele ainda tem seus amigos cachorros para deixarem seus dias melhores e menos solitários.
    Julgar uma pessoa por não conseguir guardar o dinheiro que recebe do governo pois tem um vicio ou problemas pessoais, é mais uma prova de que a sociedade está regredindo. E ele ainda cuida de seus animais muito bem.

    O governo faz o seu dever em ajudá-lo, e ele faz o dele. Cuidar da sua própria vida e a de quem se importa com ele.

    E R$25 de bolsa família que o governo brasileiro dá, ajuda? Acredito que não.

  2. Gloria Rose disse:

    Tamine,

    com interesse começei a ler o seu blog… até encontrar esse artigo ao qual mando o seguinte comentário:

    Morando no Brasil desde três anos e meio, conheço profundamente os preconceitos brasileiros sobre o meu país e entendo a surpresa sua de ver um mendigo alemão. Como muitos brasileiros você deve ter a visão de Alemanha como paraíso na terra. Já que você testemunhou com os seus próprios olhos a realidade, não consigo entender a sua reação em forma desse artigo sem respeito e ética. Será que você realmente não entende que tragédias humanas acontecem cada dia e em cada país do mundo? E que não existe nenhuma maneira de comparar uma com a outra, pois cada uma dela por si contem miséria, tristeza e pobreza – seja ela material ou imaterial?

    Estou realmente chocada da sua maneira de escrever sobre pobreza na Alemanha. E um tema muito importanteMoro numa aldeia de pescadores, muito simples, e podia muito bem ridicularizar o povo daqui. Mas porque faria isso? Desconheço a sua ambição de morar na Alemanha. Mas a sua forma de se expressar deixa bem claro que as suas intenções não estão sendo guiadas por bondade ou outros valores que eu amo e vivo. Espero que você refleta sobre as minhas palavras e desejo você uma experiência profunda que abra a sua alma, a sua mente e o seu coração.

    Gloria Rose

    • Tamine Maklouf disse:

      Gloria, eu entendi as suas colocacoes, mas vc nao pode comparar a “tragédia humana” na Alemanha com uma “tragédia humana” no Congo. Desculpe, respeito muito o seu país, senao nao estaria aqui. Mas como brasileira acho que tenho direito de zoar um pedinte alemao amparado pelo cachorro e pelo Estado, porque tenho certeza que ele está bem melhor que as 900 milhoes de pessoas que passam fome nesse mundo.
      Abracos!

      • Gloria Rose disse:

        Nao, nao existe comparacao, entao porque vc esta fazendo exatamente isso? Sofrimento nao tem uma medida objetiva. Eu vejo sofrimento muito mais como consequencia de um estado espiritual do que de condicoes materiais. Vivi por um ano em Mocambique onde aprendi de falar Portugues, um dos paises mais pobres desse mundo. Sei do que estou falando.
        Como você define “estar bem” ou “estar bem melhor”? Todos que nao passam fome estao bem? Nao tem nada a reclamar e por isso merecem de ser zoados por voce ou seja quem for?
        Vc nao é obrigada de dar as suas moedas para pessoas marginalizadas… nao na Alemanha, nao no Brasil e tmb nao no Congo ou em Mocambique. Mas com certeza vc nao tem o direito de zoar quem está marginalizado.
        Fico desejando para aquela experiência que te ajudará entender.
        Abracos.

      • Tamine Maklouf disse:

        Querida Gloria, agradeco os seus comentários de coracao. Mas sinto que temos opinioes bem divergentes. =)
        E aposto que se vc visse o mendigo alemao que eu vi, também ia sentir o que eu senti. Nao era uma pessoa marginalizada (talvez a palavra “mendigo” nem se aplique; “pedinte” seria melhor), era jovem como eu e queria “eine kleine Spende” apenas para comprar mais cerveja no Supermarkt. Acho que existe um abismo entre o “sofrimento espiritual” deste indivíduo e do povo que passa fome em Mocambique. Mas nao concordo que esse tipo de sofrimento é consequencia de um estado espiritual! Nao mesmo. É um discurso um pouco reducionista, nao acha?
        Abracos.

    • Siih disse:

      “Moro numa aldeia de pescadores, muito simples, e podia muito bem ridicularizar o povo daqui. Mas porque faria isso?” Os pescadores pelo menos estao trabalhando muito para receber o pouco que tem. Uma coisa é ridicularizar quem esta sofrendo por que nao teve mais chance na vida e poucas oportunidades, outra bem diferente é zuar uma pessoa bem vestida, e limpa pelo que eu pude notar, mora num pais aonde recebe total ajuda do governo, e ainda tem um cachorro pra variar q também recebe ajuda, ou seja mora na rua por que quer. Vc q se diz tao alema deveria saber q ver um mendigo nas ruas daqui nao é muito normal, porque aqui o governo paga para ter filhos, escolas de qualidade aqui nao custam nada, os pescadores do brasil poderiam muito bem ser ridicularizados… Claro né, trabalham como doidos para ganhar um pouquinho e sustentar a familia que tem, enquanto os mendigos aqui andam bem vestidos, ganham mesadinha do governo e vivem bem melhor q os pescadores…..

  3. Tânia Lopes disse:

    Adorei a informação, assim fico mais conformada com os projetos sociais daqui.

    Super beijo, e já disse, adoro suas matérias.

  4. iarabalduino disse:

    Bolsa-cachoroo? My God…
    Pq vc nao desiste do clipping e compra um?

    Quanto pagam por cada filho?

  5. Rogério Tomaz Jr. disse:

    hauhauahuaha
    mendigo em alto nível…

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