Um ano de Alemanha!

Hoje faz exatamente 364 365 dias que cheguei à Alemanha (e 365 que deixei o Brasil). Já havia visitado o país em 2008, mas entre turista e habitante há uma grande diferença de status. Como turista, tudo é a maior diversão, até as gafes. Já como habitante, mesmo que temporária, tive que me adaptar a um monte de protocolos sociais. A coisa boa é que eu sou uma entusiasta da adaptação. Mas como tal, as gafes devem ser moderadas…

Queria dividir com os que aqui me leem quatro conclusões (despretensiosas) que tirei sobre a vida por aqui nesses 364 dias de Alemanha.

Os alemães trabalham menos do que eu pensava

Assim como os gringos pensam que os brasileiros não trabalham e passam o dia todo “na praia”, já tinha ouvido muitas histórias sobre o quão “workaholics” eram os alemães. Mas era tudo uma falácia. A verdade é que aqui só trabalha muito quem quer muito dinheiro ou se dedica à carreira. O resto trabalha normalmente, sem muitas neuroses. Claro, complementos sociais sempre ajudam: dois cachorros ali, um gato acolá, 3 filhos, seguro-desemprego. Cada um desses itens contabiliza saldos no contra-cheque. Então não vejo mesmo razão para alemão se preocupar muito com trabalho, vocês não acham?

Os alemães são os viajantes mais bem informados do mundo

A parte de guias de viagem e livros sobre o tema “férias” é sempre a maior nas livrarias. O nicho “literatura de relatos de viagem” e romances sobre viagens bomba por aqui tanto quanto os livros de auto-ajuda, best-seller na gringa, bombam nos “mais vendidos” da revista Veja. Alemão é viajante desde que nasce e viaja até provavelmente alguns dias antes de sua morte. Seja tomando um bronze em Mallorca ou pegando o bonde Transiberiano rumo à Mongólia, eles sempre vão te encher o saco com informações superhipermega detalhadas sobre a viagem em questão.

Os alemães economizam muita água e energia, mas não é só por causa do meio ambiente

Nos meus primeiros meses aqui fiquei impressionada com o quão “verdes” era os alemães. Era um amoooor pelo meio ambiente, uma coisa linda de se ver, além de, claro, um grande conhecimento espontâneo sobre a “causa”. A minha impressão mudou um pouco de figura quando conheci o peso da conta de água no orçamento dos alemães. Agora tudo faz muito mais sentido! A regra é economizar água e energia o máximo que puderem (e quando digo “o máximo”, me refiro a vários sacrifícios, como por exemplo, a diminuição considerável do número de banhos semanais. E quando digo “considerável”, me refiro a “drástica”, ok?). O esforço pode significar uma economia de 500 Euros quando chega o Jahresabrechnung, a conta anual de água e energia que toda residência recebe no final do ano.

O pão alemão é o melhor do mundo!

Durante exílio na terra dos “amis”, Berthold Brecht escreveu um texto onde compara o pão da Alemanha com o pão dos Estados Unidos. Resumindo: para Brecht, os EUA não têm pão e o pão da Alemanha é o melhor do mundo. Era difícil para Brecht passar os dias vivendo daquele pão branco sem gosto. Existem mais de 300 tipos de pão na Alemanha. Se você provou alguns e não gostou, ainda há chances. E é bom que encontre o seu preferido e se dedique: o alemão come em média 87 quilos de pão por ano, enquanto os franceses comem “somente” 55. Eu pensei que ia sentir falta daquele “careca” quentinho com manteiga (na minha terra, Belém, não se fala “pão francês”, e sim “careca”. Aliás, de onde saiu essa alcunha “pão francês” hein? Pão francês para mim é baguete, pô ). Mas o pão alemão tem cumprido seu papel no meu dia-a-dia, inclusive no aumento de peso eventual.

Para terminar: hoje vi numa livraria um título bacana: “Heimat ist, was man vermisst” (a terra natal é a aquela que a gente sente falta). Não importa qual. No dia que for embora daqui, vou sentir muita falta da Alemanha e claro, da minha nova habilidade: banhos com duração de 435 segundos. Uma verdadeira mão na roda.

As fotos são de Dresden.

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2 respostas para Um ano de Alemanha!

  1. Achei que fosses tu na última foto. Aguardo as dicas/informações básica e importantes para turista pela Europa!

    Gilson

  2. ana borba disse:

    e se passar mais tempo seräo muito mais do que só 4 conclusöes despretenciosas (com as quais muito concordo) sobre essa terra…

    p.s.: eu colocaria a cerveja do lado do päo… achar skol bom nunca mais!

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