Sobre suor, meias e outras angústias

Todos pensam que o maior problema social do europeu é a superpopulação de imigrantes árabes, porém, o suor é a maior mazela das nações européias desenvolvidas.

O lendário odor do europeu é motivo de chacota internacional há muitas gerações e obedece a seguinte equação: quanto mais frio é o país, maior é o odor (pobre Escandinávia…). Eu, entretanto, sempre me recusei a acreditar no clichê. Até que cheguei aqui no verão de 2009 e comprovei com o próprio nariz que, pelo menos o alemão, não sabe ainda lidar com o suor e seu rastro aromático.

Tanto é verdade que o aventureiro e jornalista de aventuras alemão Roland Knauer escreveu um texto essa semana para o semanário Die Zeit confabulando sobre como se livrar desta peste mortal (sim, mortal. Você que já entrou em um Strassenbahn às11h com 40 graus lá fora sabe do que estou falando). O texto, no entanto, se dirige àqueles que praticam esportes no frio, pois é mesmo complexo se livrar dos odores indesejáveis acampando no meio da neve. Mas achei que a reflexão do homem valia para o povo como um todo.

Depois de ler o texto, cheguei à conclusão que é uma ciência complicadíssima a arte de driblar o body odor sem poder tomar banho todo dia. Até porque, alemão é um ser que faz esporte: anda muito, anda de bicicleta, faz caminhadas, escala montanhas, corta lenha, constrói casas, sobe escadas. Isso tudo com a mesma roupa e no mesmo dia. Nenhum laboratório farmacêutico apareceu ainda com o superdesodorante que aguenta todas essas quebradas, meu amigo.

Uma opção comum seriam roupas com tecidos funcionais, com membranas high tech que tornam o casaco respirável. Para Knauer, é um exagero o que algumas empresas oferecem no mercado em termos de roupas funcionais. Ele mesmo já enfrentou temperaturas extremas sem fazer uso das inovações sintéticas no campo do “outdoor”.

Segundo Knauer, o negócio é saber combinar tecidos sintéticos e fibras naturais. O campo meias, por exemplo, é extremamente complexo. Aparentemente, meias de algodão são as menos apropriadas para a prática de esportes. Porém, a fibra sintética não é a melhor escolha, pois administram bem o suor mas não têm propriedades que neutralizam o mau cheiro. O certo é misturar sintético com lã (milagrosa, esquenta, absorve e neutraliza tudo), e não algodão. “Lavar os pés de vez em quando também ajuda”, lembra ele.

A propósito, o texto faz parte de uma série imperdível sobre vida outdoor do Zeit, com colunas semanais escritas por Knauer. Vale a pena ler. O primeiro da série dá dicas para os iniciantes em Wandern (trilhas), como eu! 

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10 respostas para Sobre suor, meias e outras angústias

  1. Luiza disse:

    Olha, esses dias eu e meu namorado passamos por uma situação parecida quando um grupo de menininhas (13 anos no máximo) sentou perto da gente no ônibus. Já tinha sentido muito cheiro de marmanjo cabuloso por aí, mas esse grupinho de pequenas ganhou DE LONGE. O único adjetivo que me vem à cabeça para descrever isso é MACABRO.

    Nem o perfuminho sólido que eu sempre carrego na bolsa para essas ocasiões (fica a dica) resolveu. E quando desceram ainda deixaram rastro.

    • Tamine Maklouf disse:

      que é isso, luiza, perfuminho não resolve não. a única coisa que faço nesses casos é resmungar em português. hahahahahah mas agradeço a dica, afinal, o inverno tá aí (ou não!).
      bjs!

  2. caysasilva disse:

    Olá Tamine!

    Muito legal o post. Morei na Alemanha 5 anos e vivi e convivi com odores dos mais diversos nipes. Um lindo dia de menos 5 graus e céu que parecia que cairia sobre nossas cabeças (vide Asterix) entrei em um Strassenbahn. Um senhor bem vestido, loiro alemão, se sentou ao meu lado. Neste momento me dei conta que os alemãs eram superiores em muitas coisas mesmo, uma catinga de primero mundo, uma catinga lider de Europa. Não aguentava mais, eram as 8 horas da manhã. Em vez de levantarme decidi desabafar e fazer um micro estudo antropólogico; -deculpa senhor, qual o motivo de estar, bem, estar com este cheiro tão forte as 8 horas da manhã? -Was für ein Geruch? (Que cheiro?. Ele não se incomodava em absoluto com sua situação. Argumentei que incomodava as outras pessoas. Ele argumentou que todos estão acostumados. “Passamos todos os anos por um inverno duro, não suamos durante o dia (é o que ele crê) e não vejo a necessidade de tomar banho todos os dias”. Indaguei sobre um bom perfume e desodorante: “não gosto de perfumes”. Neste momento chegou minha estação. Desci, peguei o trem, o avião e me mudei a Espanha.
    Brincadeira, me mudei a Espanha por outros motivos. Agora estudo jornalismo na Universidad Complutense de Madrid e tenho um Blog. Tento tratar de temas brasileiros e Espanhóis. Mas to com alguma dificuldade. Vou dar uma boa olhada no teu Blog.
    o Meu é http://sambaconflamenco.wordpress.com/

    Auf Wiederschauen und danke
    Caysa da Silva

    • Tamine Maklouf disse:

      ahuahuahuhauhuahuahua Caysa, rui muito aqui desse seu depoimento! sua conversa com o Typ do trem parece a de alguém tão resignado com a realidade que o cerca, que perde a vergonha de puxar um assunto desse com um estranho qualquer! Parabéns viu? quem me dera ter essa coragem! também sou fã dos “micro estudos antropológicos”. a alemanha é uma terra de muitas bizarrices, mas qual país nao é, né não? aposto que aí na espanha deve ter também umas boas…eheheh
      beijos e obrigada pela visita! ainda vou comentar todos os seus comments!

  3. Ana Borba disse:

    eu ainda tenho mais medo do odor alemäo no inverno. tudo empacotado nas lojas cheias e ônibus lotado. a estacäo todinha com o MESMO casaco.

  4. Roberto disse:

    Olá Tamine,

    Sei que vou misturar estação aqui, mas como eu não quis me cadastrar no portal Globo para comentar a tua coluna no blog do Noblat, lá vai meu pitaco por aqui mesmo:
    É sobre a tua sopa “Pro-Kriech” (Neudeutsch?!). Faz o seguinte: mistura um pouquinho de Kümmel que o efeito colateral indesejado não aparece. É o truque que os alemães usam no preparo de uma salada de “Sauerkraut”.
    Um abraço.

    • Tamine Maklouf disse:

      Oi Roberto! Super dica essa, hein? Tudo aqui leva Kümmel e eu só agora comecei a me acostumar com esse tempero e até gosto um pouco (só um pouco). Mas não sabia que ele tinha efeito “quase medicinal”!!
      Abraços!

  5. Emília disse:

    Tamine e os temas germânicos escatológicos. haha. Muito bom! De fato, não se pode deixar de falar em europeus (e, claro, alemães) sem tocar no tópico “asseio”. Eu me lembrei muito agora do seu post sobre a Waschlappen, que eu, sinceramente, não sei até agora como se usa. Na verdade nem quero saber. igit!

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