Dica de filme: Russendisko (2012)

Russendisko-OST

O cinema alemão vem mais uma vez nos surpreender (#sóquenão) com uma comédia de temática pós-queda do Muro de Berlim, mas desta vez sobre um tema bem específico: os russos com ascendência judia que imigraram para a Alemanha antes ou logo após a queda do Muro de Berlim. Antes da queda, nenhum russo queria ser judeu. Mas depois que Gorbatschov caiu…todo russo queria ser judeu!

O filme já vale a pena por mostrar esse interessante capítulo da história alemã que eu não conhecia (entre outros milhões, né?). Mas é ainda engraçado, os atores sao ótimos (e gatinhos) e o roteiro super amarradinho. Pra ver comendo pipoca no domingo à noite!

O filme é baseado em um livro homônimo do escritor alemão de origem russo-judaica Wladimir Kaminer. Na verdade, o protagonista também se chama Wladimir, um jovem que em 1990, no auge dos seus 20 e poucos, ganha a cidadania da República Democrática da Alemanha, e logo depois a alemã. Em uma Berlim oriental recém-ocupada (a.k.a abandonada), Wladimir e uns comparsas russos que também foram contemplados com a cidadania, abrem uma discoteca, er…a tal da Russendisko. No meio tempo, se metem em altas enrascadas românticas. Mas não vou contar mais.

Uma pena que o trailer faz o filme parecer um “The Hangover” alemão.

E se quiser comprar o livro Russendisko, aqui está. Eu não conhecia esse autor, mas fiquei bastante interessada nos outros títulos dele! Sua temática of choice, crônicas berlinenses (e como russo, pode descrever com mais propriedade o que foi o “experimento socialista” como ele mesmo se refere), é uma catiguria nobilíssima no mercado editorial alemão atualmente.  Olha aí uma pequena entrevista que achei.

russendisko

O escritor Wladimir Kaminer e o ator que faz o Wladimir, Matthias Schweighöfer (em breve, em um #alemaesqueamamos perto de você).

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Feliz ano novo! E tome Glückschwein!

porquinho da sorte

Folheando uns folhetos do Lidl, notei que o elemento porco estava nova e estranhamente ali, meio onipresente. Entre espumante, fogos, confete e serpetina…lá estava o danado do porco! E eu me perguntei: o que diabos tem o porco a ver com reveillón, minha gente?

Mas, como não podia deixar de ser, o porco, que já era estrela, traz sorte!! Maoooeeee! Isso mesmo, nada de vestir camiseta branca ou calcinha amarela no ano novo. O negócio é carregar um pingente de porco, caprichar num focinho ou arranjar uma outra forma de homenagear o suíno. Na cultura germânica, o porco é animal que representa fortuna, força e felicidade. O bicho é praticamente sagrado!

Outros países também homenageiam o porco, como Japão e China. Mas que eu saiba nenhum desses países ama tanto e come o porco, ao mesmo tempo e na mesma intensidade! Isso, só a Alemanha! É praticamente canibalismo!

Então, meu amigo, se você está em terras teutônicas, não fique a ver navios ao ganhar de presente um porquinho de marzipã no ano novo. Coma e seja feliz!

E aqui fica minha mensagem de feliz 2013 para você, querido leitor das minhas anedotas (em 2012 foram poucas, menos do que eu gostaria, eu sei). Ah, e um ditado popular para a hora dos festejos:

Bier auf Wein, das lass sein
Wein auf Bier, das rat ich dir

(Cerveja depois de vinho? Pode esquecer.
Vinho depois de cerveja? Vá em frente)
*Traduçoes Taminescas Inc.

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Os alemães xingam diferente?

Anão anal: alemães parecem ter fixação anal na área dos palavrões

 “Scheisse”, “Leck mich am Arsch”, “Arschloch”, “Analfrosch” (oi?)…Você, entusiasta da cultura alemã e estudioso do idioma, já se perguntou por que os palavrões nessa língua são quase sempre de cunho escatológico?

Sobre esse assunto, acabei de ler uma matéria genial (mesmo que tenha sido uma tradução, parabéns aos envolvidos. Não é fácil traduzir tantos palavrões para o português ainda mais para um veículo “sério” como é a Deutsche Welle!), compartilhada no Feice pela minha amiga Emília Castro.

Trata-se de uma entrevista com o filólogo alemão Hans-Martin Gauger, autor de uma grande pesquisa linguística sobre xingamentos na Europa. A empreitada deu origem a um livro: “Das Schmutzige und das Feuchte – Kleine Linguistik der vulgären Sprache” (O sujo e o úmido – Pequena linguística da linguagem vulgar).

Por meio da comparação de como os insultos e xingamentos são usados em diferentes línguas e países, Gauger chegou a uma conclusão que algum de nós já imaginávamos: enquanto praticamente o mundo todo xinga referindo-se a coisas sexuais, na Alemanha os xingamentos são todos escatológicos. Em outras palavras, as expressões são “inspiradas” em excrementos.

Nos anais de sua pesquisa (sorry), Gauger descobriu que em todos os países europeus, incluindo Rússia e Turquia, as expressões de baixo calão são “sexualmente orientadas”.

Ao analisar casos famosos, como a famosa cabeçada de Zidane na Copa de 1998 em reposta a uma ofensa do outro jogador “à piranha da sua irmã”, o linguista  explica por quê não faz sentido nenhum na Alemanha chamar alguém de filho da puta!

Aliás, você já pensou sobre isso?

O fato da sua mãe ser uma puta ou a sua irmã ser uma piranha não é necessariamente uma coisa ruim. Ser puta ou piranha não define o caráter de uma mulher. E aí que temos mais uma vez na humanidade uma situação onde os alemães estão certos: os insultos germânicos teriam mais lógica do que os do resto do mundo. Porra, Alemanha!

Aqui tem uma lista dos 50 palavrões mais usados em alemão. Zwar consta “Hurensohn” (filho da puta), mas não sei se seria muito útil na hora de defender a honra da sua irmã durante a final da Copa do Mundo. Acho que “Arschnase mit Analantrieb” seria mais coerente com as análises antropológicas propostas pelo linguista da matéria!

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 Capa do livro de Hans-Martin Gauger

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Dica de filme: “Oh boy” (2012)

Semana passada fui ao cinema e vi “Oh Boy” (2012), um filme alemão recém-lançado aqui. Niko, protagonista vivido pelo ator Tom Schilling, largou a faculdade de direito e vive um momento de crise existencial. Vagando por uma Berlim retratada em preto e branco em mais um dia de cão, tenta comprar um simples cafezinho no café mais próximo. O que ele não esperava era ter que pagar 3,40 Euros por um espresso. Pô, Berlim não era pobre?

A barista tenta explicar a diferença entre os vários tipos de café ali oferecidos. Mas não. Niko quer apenas um café normal, preto. “Temos leite de soja!”, diz a moça. Não, peloamordedeus!

Ou quando ele vai a hamburgueria mais trendy de Berlim, White Trash, e a rude garçonete, provavelmente americana, o atende em inglês, muito embora ele fale alemão com ela. Na boa, Niko, se você não tivesse ido àquela cafeteria trendy ou à hamburgueria trendy, eu não estava aqui falando sobre isso.

Depois fui me dar conta de quantos filmes vi nos últimos três anos que têm a capital alemã como pano de fundo. Muitos. Estariam os roteiristas alemães meio limitados das ideias ou seria a cidade o cenário ideal para falar sobre algumas problemáticas das metrópoles modernas?

Não, minto. Alguns filmes que eu vi se passaram em Hamburgo. Mas quem liga? Berlim é a cidade do momento. Todas as nações do mundo se encontram ali e há mais tolerância ao novo do que em qualquer outra capital européia. A cidade vive todos os tipos de boom: imobiliário, turístico, histórico, fashion.

Mais do que tudo, Berlim também combina muito com a crise. Berlim é “pobre, mas sexy”, e esse slogan cai muito bem para os jovens europeus que, sem emprego, tentam se encontrar em uma grande massa de proletariado criativo, envolvidos em “projetos paralelos”.

Quer uma carreira? Vai para Düsseldorf ou Munique. Quer uma vida lúdica, dinâmica, colorida? Vai para Berlim – e receba ajuda social. Brincadeirinha.

Afinal, qual é a de Berlim? Lembra daquela história de que os parisienses são mal humorados e deixam suas mochilas e bolsas no banco vazio no trem lotado? Agora tem o “echter Berliner”, o verdadeiro berlinense. Ele não tolera mais o deslumbre dos turistas e o preço inflacionado de tudo o que na verdade era dele, só dele. Ele é chato e rabugento. Ele está em extinção.

De quem é a cidade? De quem é a metrópole? Berlim é de todos.

Texto escrito essa semana para o Blog do Noblat.

Até certo momento você pensa que o filme não vai abordar nada histórico e que a cidade é apenas um cenário para um dia de cão do personagem de Tom Schilling, em uma vibe meio filme de Woody Allen. Mas não. É impossível falar de Berlim sem tocar no passado, na sua história. Berlim é história e, principalmente, muito recente. Acho que nunca vi Berlim tão boêmia em um filme antes. Vale a pena!

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Trend do momento: visu “ökig”

Estava mais uma vez dando uma olhada em leilões no Ebay (#viciada) dos sapatos da marca espanhola El Naturalista e fiquei triste. Eles são caríssimos e estão entre as poucas coisas caras que estão na minha lista de sonhos de consumo (a outra são os sorvetes Ben & Jerry’s). Já experimentei na loja e eles são MUITO confortáveis, resistentes, duráveis e bonitos. Oh wait.

São bonitos mesmo?

Na verdade eles são horrorosos.

Minha história com esses sapatos é uma história de superação. Por anos venho tentando adequar meu guarda roupa ao padrão alemão, para que desta forma eu me sinta mais inserida na sociedade teutônica. Para atingir tal meta, já faço uso das seguintes peças:

  • Tops longos por baixo da blusa, o que desfavorece meus quadris, porém protegem meus rins do frio;
  • Casacos de chuva esportivos que me deixam sequinha, mas com corpo de saco de batata;
  • Sandálias de gringo, pois deixam menos bolhas em pés de princesa desacostumados do que as Havaianas;

Mesmo depois de ter feito tais escolhas vitais, sinto que ainda estou muito longe de atingir a minha meta do “fit in” e um sapato El Naturalista me faria dar um passo grande rumo a este objetivo de vida. Os sapatos me dariam um visu ökig, super na moda atualmente.

Sacou? ÖKO = ÖKIG Visu ecológico no sentido meio pejorativo. Os criativos alemães inventaram um adjetivo que se refere a pessoas que levam um estilo de vida “ecológico”, ou seja, öko, e revelam nas roupas suas escolhas sustentáveis. Vamos a alguns exemplos:

“Nossa, essa doida tá muito ökig pro meu gosto”.
“Ah não, esses sapatos me fazem parecer muito ökig!”
“Iiiiiih, lá vem a galerinha ökig tentando invadir o pedaço!”

Entendeu? Existem marcas que são queridinhas dos ecos. El Naturalista é uma delas. Naturalmente, ser öko na Alemanha é para poucos. Estava lendo uma resenha sobre os sapatos e alguém escreveu: “Os sapatos são muito bons e confortáveis, porém me deixam muito ‘ökig'”. Foi aí que me deu um insight.

Como sou muito observadora, notei que as verdadeiras mulheres descoladas jovens alemãs não andam no inverno com simples botas de couro. Elas andam com botas “ökig” que custam o olho da cara e vêm em cores vivas e têm costuras aparentes que atravessam o sapato. É muito feio, minha gente. Mas eu quero ser descolada, tá me entendendo?

Demorou para que eu construisse um padrão sapateiro das mulheres alemãs. Mas depois que conheci esta marca, tudo se encaixou perfeitamente, além de ter me ajudado a finalmente concluir que não existem sapatos bonitos na Alemanha  (sim, eu sei que a marca é espanhola, mas acho que eles foram feitos para os milhares de alemães que lá residem). Mas mesmo assim eu quero um sapato El Naturalista. Partiu crowd funding?

Outro exemplo de peça “ökig”: pullover norueguês

Crédito: www.streetrunway.de

Como você pode perceber, o uso de materiais naturais, de preferência lã orgânica ou feltro de animais ist angesagt. É fashion, saca? Mas só para quem pode. Se interessar, visite os sites dessas lojas: Luzifer (sério?) e Mrs. Hippie e dê uma olhada no que está disponível no varejo.

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A marca dos duendinhos

Lembra daquele meu post onde comento sobre as roupas de duende (ou gnomo, whatever) que são a última moda infantil para pais descolados aqui na Alemanha? Na época eu ainda não tinha filho e não conhecia uma marca específica para citar aqui. Ah, e nem sabia também que os alemães chamam criancinha de Zwerg (duende)  e outros nomes interessantíssimos do ponto de vista antropológico que merecem um post à parte.

Pois é, menina(o), mas eu estava passeando com meu filho aqui pelo meu bairro descolado e passei na frente de uma loja de roupas onde finalmente encontrei o vestuário gnomístico disponível para a venda. Mas ó, estava muito errada ao achar que era uma coisa de hippies sem dinheiro. Esses hippies devem ser concursados ou trabalhar em grandes bancos, só pode.

O nome da marca é Finkid, e faz tanto sucesso entre os pais öko que a empresa agora tem uma linha para mulheres chamada Finside. O slogan não poderia ser mais deutsch: explore mother nature.

Com essa filosofia aplicada especialmente às criancas, a ordem é vender roupa pra criança brincar ao ar livre. E aí, meu amigo, fica caro, principalmente porque são roupas para o frio (a marca é finlandesa). Materiais resistentes a sol, chuva, canivete e neve e ainda materiais orgânicos e fabricados por mão de obra friendly seguindo preceitos ecológicos e éticos. Resumindo: não é pra quem compra bóris na H&M, costurados em 35 segundos por um chinês com L.E.R.

Sim, mas eu tava falando dos duendes! Olha aí esse casaquinho. Tudo com esse capuz de gnomo se chama “Zwergen” alguma coisa. Se você quiser procurar no sistema de busca deles “cuequinha de gnomo” coloque: Zwergen unterwäsche e boa sorte!

E você? Conhece alguma outra marca de roupas-ecológicas-de-duendes na Alemanha para me ajudar a montar um enxoval pro meu filho (#not)?

Este post infelizmente não é um publieditorial.

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Checklist de outubro

  • Ignorar todas as notícias sobre Oktoberfest. Porque você nunca ligou pra isso mesmo;
  • Entocar no armário flip flops e sapatilhas “ballerinas”. Você não vai mais precisar disso;
  • Começar a se preparar para comer tudo com maçã e pêra, incluindo o que é provavelmente o único doce que eu não gosto no mundo: selbstgemachtes Apfelmuß;
  • Se você, como eu, está planejando fazer um calendário do advento DIY pro seu filho ou algum ente querido, esta é a hora de começar a planejar. Eu gostei desse aqui, por exemplo. Bem simples.
  • Começar a tomar pó de Hagebutte para melhorar a imunidade quando chegar o inverno. Você sabia que os alemäes têm essa frutinha que é super rica em Vitamina C (muito mais que laranjas), mas nao valorizam a prata da casa e preferem importar pó de acerola de nossas paradas?
  • Aproveitar esse início de outubro, porque tá bem gold esse  começo de Herbst, viu?

Lembrando que este post (atrasado, para variar) é inspirado no site Vida Organizada.

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